31 de Julho, 2014

Declaração do Presidente da APB à Lusa a propósito dos resultados do Banco BES

Dos resultados do BES, ontem divulgados devem separar-se os provenientes da actividade corrente do banco dos originados por eventos extraordinários, designadamente os relativos à exposição ao Grupo Espírito Santo.

Saliento que os resultados provenientes da actividade corrente do BES, -255,4 Milhões de Euros, representam um agravamento de apenas 7,6% em relação ao período homólogo do ano anterior, -237,4 Milhões de Euros, justificados por um reforço de provisões, nomeadamente para crédito e também títulos, já que o resultado bruto, sem os feitos extraordinários, melhorou 22%.

Os factores excepcionais responsáveis pelo resultado do exercício de -3577 Milhões de Euros ficaram principalmente a dever-se à constituição de provisões para fazer face à sobreexposição perante as empresas do Grupo Espírito Santo. Como já explicado, uma parte importante das perdas fica a dever-se a factos só agora conhecidos e identificados.

O Banco de Portugal e a nova Administração do BES já tomaram ou anunciaram medidas ou acções que irão permitir fazer face aos problemas decorrentes daquelas circunstâncias extraordinárias, nomeadamente as que passarão por um plano de recapitalização. Este, conforme divulgado tanto pelo Banco de Portugal como pelo Conselho de Administração do BES, será preferentemente efectuado com recurso a soluções de mercado, potencialmente a fundos privados, mas “continuando disponível a linha de recapitalização pública criada no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira para suportar eventuais necessidades de capital do sistema bancário”, o que “salvaguarda em absoluto a solidez da instituição”.

Conforme consta também do seu Comunicado de ontem, disponibilizado após conhecimento dos resultados do 1º Semestre de actividade, “o Banco de Portugal reitera que estão reunidas as condições necessárias à continuidade da actividade desenvolvida pela instituição e à plena protecção dos interesses dos depositantes”.

O BES é uma instituição de referência do sistema bancário português, muito importante para a nossa economia, com elevada quota no financiamento das empresas.

Os novos membros do seu Conselho de Administração aliam aos seus reconhecidos curricula, competência e credibilidade, um perfil de grande integridade e de capacidade de execução, o que, a par da qualidade e profissionalismo dos quadros do banco, fazem com que confie em absoluto na ultrapassagem dos problemas que a crise do Grupo Espirito Santo provocou no Banco.

O dano de imagem, agora introduzido, afectando uma trajectória que estava a ser prosseguida pelos bancos portugueses, com muito esforço e com sucesso, implica a reiteração do comprometimento do sector no reforço da governance e nas exigências comportamentais, com grande foco na ética e nos clientes.

Uma banca forte, moderna e confiável, que o país necessita e tem vindo a ser construída, tem como condições também necessárias, que os bancos assumem, o imperativo ético e as boas práticas.

Lisboa, 31 de Julho de 2014